O maior evento futebolístico do mundo mereceria um estádio à
altura. Sendo assim, o governo brasileiro idealizou a construção de um estádio
com capacidade para aproximadamente 180 mil torcedores. A localização escolhida
foi a Tijuca, bairro do Rio de Janeiro, em um campo onde aconteciam corridas de
cavalo. Porém, quando já estava praticamente tudo certo para o início das
obras, uma disputa partidária envolvendo o prefeito carioca Ângelo Mendes de
Morais e o vereador Carlos Lacerda, da UDN, inimigo político do governante,
atrasou o planejamento. Para Lacerda, a arena deveria ser em Jacarepaguá e o
custeamento deveria vir de outra fonte que não fosse o dinheiro público.
Foi quando o jornalista Mário Rodrigues Filho, irmão do consagrado dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, comprou a briga em prol do prefeito. Principal nome da imprensa esportiva nacional e um apaixonado por futebol que não media esforços para fazer investimentos que ajudassem na propagação do mesmo, Mário Filho tomou a frente da causa, trouxe para seu lado o também vereador Ary Barroso e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Galloti e, com essa brigada a favor, o estádio pode enfim ser construído na Tijuca.
O projeto arquitetônico escolhido pela prefeitura foi o apresentado por Miguel Feldman, Waldir Ramos, Raphael Galvão, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro. Eles previam um estádio para 155.250 pessoas, com a possibilidade de verem o jogo em pé, ou acomodadas em assentos comuns, em cadeiras cativas, na tribuna de honra ou no camarote. O estádio ainda contaria com uma área reservada para a imprensa com espaço para 20 cabines de transmissão, além de 32 grupos de sanitários e 32 bares. No total, a área coberta atingira 150 mil m², com um altura de 24 metros. As obras iniciaram-se em 2 de agosto de 1948, data do lançamento da pedra fundamental.
A inauguração da arena aconteceu no dia 17 de junho de 1950, com um jogo amistoso entre um combinado de jogadores do Rio de Janeiro e de São Paulo. O primeiro jogador a balançar as redes foi Didi, meia do Fluminense, marcando o gol de honra dos cariocas que perderam o jogo por 3 a 1, há apenas nove dias do início da Copa.
Inicialmente chamado de Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o estádio mudou de nome em 1968, com a morte de Mário Rodrigues. A partir de então, o estádio passou a ter o nome do jornalista que tanto fez pelo esporte nacional. No entanto, o apelido Maracanã, alusão a um rio homônimo existente na região, acabou pegando logo no começo e o estádio é chamado assim até os dias de hoje.
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