segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Entrevista com Paulo Vitor - Parte 2

Dando continuidade à entrevista com Paulo Vitor ao blog Sem Impedimento!, hoje o ex goleiro falará sobre seus tempos de Fluminense e Seleção Brasileira. (Se você ainda não viu a primeira parte da entrevista, clique aqui).

Paulo Vitor comemorando um de seus
muitos títulos com a camisa tricolor
S.I.: Você foi o titular em praticamente todos os jogos das Eliminatórias para a Copa de 86. Fica triste de não ter perdido o posto justamente na competição mais importante do mundo?
Paulo Vítor: Eu era o titular com o Evaristo de Macedo. Aí ele saiu e entrou o Telê Santana, que preferiu efetivar o Carlos. Só que o importante não era ser o titular. O que realmente importava naquele momento era estar no seleto grupo de 23 convocados. Eu era o segundo goleiro, a frente do Leão, que vinha de duas Copas do Mundo. Uma honra para mim. Além dele, o grupo ainda tinha outros nomes experientes, como Zico, Júnior, Sócrates, Leandro e Edinho.
   
S.I.: Realmente você pegou uma época cheia de bons atancates. Qual o mais difícil que enfrentou?
Paulo Vítor: O Luizinho do América-RJ não era brincadeira não. Muito perigoso. Parece que entrava em campo já sabendo que ia fazer gol em mim. Mas eu já joguei contra muitos craques como Zico, Careca,  Dinamite, Falcão, Sócrates... Foram muitos.

S.I.: Outra safra boa que você pegou foi a de técnicos.Você mesmo sempre teve bons técnicos quando jogador. Qual foi seu preferido?
Paulo Vítor: Eu aprendi muito com todos treinadores que tive. Evaristo, Telê, Parreira... Foram muitos e todos foram importantes em minha trajetória. Cada um tem o seu método de trabalho e eles me ensinaram muito.

S.I.: Você é até hoje lembrado como o 'Paulo Vitor do Fluminense', tamanha identificação com o clube. Mas quando defendia o Volta Redonda, teve que enfrenta-lo.Como foi ter que jogar contra o Tricolor depois de tantas glórias com aquela camisa?
Paulo Vítor: Foi complicado. Eu realmente não queria jogar aquele jogo. Passei quase 10 anos lá e jogar contra eles, principalmente nas Laranjeiras, me deixaria mal. Mas o técnico me escalou mesmo assim e acabei indo pro jogo. Eles precisavam vencer o jogo para se classificarem e abriram um gol de vantagem. Logo no começo do segundo tempo nós empatamos e, no finalzinho do jogo, teve um pênalti a favor do Fluminense. Ézio pegou a bola e brinquei com ele que iria defender. Acabou que eu ele bateu e eu realmente peguei a cobrança. Essa história me comove. O Ézio veio a falecer ano passado e esse episódio ficou marcado na vida dele. Uma pena. Era uma pessoa que eu gostava muito, um grande parceiro.

Paulo foi o goleiro menos
vazado no Carioca de 1983
S.I.: A torcida do Fluminense reconheceu seu talento e gritou seu nome durante o jogo. Até mesmo quando você defendeu o pênalti. O que sentiu naquele momento?
Paulo Vítor: Quando eu entrei em campo, a torcida gritava tanto meu nome que parecia que eu estava vestindo a camisa do Fluminense. Realmente amo aquele clube. Não ter tido uma despedida lá é uma frustração em minha vida. Eu queria muito voltar para o Fluminense. Não precisava ser titular. Eu só queria encerrar minha carreira nas Laranjeiras. Infelizmente as pessoas que comandavam o time naquela época não viram dessa forma e o sonho acabou não se concretizando.

S.I.: Como profundo conhecedor do time, poderia lista o time ideal do Fluminense, de todos os tempos?
Paulo Vítor: O melhor time do Fluminense que eu já vi foi aquele que eu joguei. Fomos tri campeão em 1984, 1985 e 1986. O pessoal fala da ‘máquina’ de 1975, mas, para mim, máquina é aquela que ganha títulos. Eu ganhei esses três Cariocas e um Brasileiro. Sendo assim, meu time foi melhor.

Por hoje, ficamos por aqui. Na terceira e última parte de entrevista, Paulo Vitor falará sobre atualidades. Desde Fluminense e Seleção Brasileira, até Copa do Mundo 2014. Não percam! É na próxima segunda.

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