Depois de quase dois anos parado, o atacante Adriano voltou a entrar a disputar uma partida profissional. O novo camisa 30 do Atlético Paranaense entrou no final do jogo contra o The Strongest, pela Libertadores e, mesmo mal tendo pego na bola nos dez minutos em que esteve em campo, fez a torcida gritar seu nome como se tivesse marcado um gol.
Quando os ponteiros marcavam 40 minutos do segundo tempo, quem adentrava as quatro linhas não era o Imperador - apelido que ganhou na época em que defendia a Inter de Milão-ITA onde era ídolo e tido como um dos centroavantes mais temidos do mundo. Era Adriano Leite Ribeiro, de 31 anos, nascido e criado na Vila Cruzeiro, favela do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ser humano que comete erros como qualquer um. Mas, assim a maioria dos brasileiros, correu atrás de seu sonho de voltar a jogar futebol e conseguiu atingir seu objetivo.
Grande destaque da Seleção Brasileira na Copa América de 2004 e na Copa das Confederações em 2005, Adriano foi o artilheiro e o melhor jogador em ambas as competições. Na Copa do Mundo de 2006, formou o chamado "quadrado mágico", ao lado de Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo. No entanto, a precoce eliminação da competição, nas quartas-de-final contra a França, fez com que o atacante perdesse o prestígio que tinha com a torcida.
O fracasso dentro de campo e o recente falecimento de seu fizerem com que o atleta se afundasse nas drogas. Viciado em álcool, foi encostado em seu clube até ser emprestado ao São Paulo-SP, no início de 2008. Depois de seis meses, retornou à Itália e chegou a ter uma sequência maior de jogos. Porém, em abril do ano seguinte, o jogador passou a não comparecer aos treinamentos e anunciou sua primeira retirada dos gramados.
A aposentadoria durou apenas um mês e em maio de 2009, Adriano foi apresentado no Flamendo-RJ clube em que começou sua carreira e é torcedor confesso. Pelo time carioca, o atacante foi campeão brasileiro e artilheiro do campeonato nacional, com 19 gols. O bom momento fez com que o Imperador fosse convocado novamente para a Seleção Brasileira para disputar alguns amistosos. No entanto, pouco tempo após se transferir para o Roma-ITA, acabou ficando de fora da Copa do Mundo de 2010.
Adriano não marcou um gol sequer pela equipe italiana e, um ano depois, estava disposto a voltar ao Brasil. Com a negação de seu time de coração, assinou com o Corinthians. Antes mesmo de entrar em campo, enquanto ainda treinava para readquirir sua melhor forma física, acabou se machucando e ficou inativo por praticamente seis meses.
Sua última partida pela equipe paulista foi em 4 de março de 2012. De lá para cá, Adriano sofreu com novas contusões e pensou em parar definitivamente. Foi quando apareceu o Atlético Paranaense em sua vida. O clube abriu as portas para que o atacante treinasse e mantivesse sua forma, sem nenhum tipo de vínculo contratual. Apenas depois de muitos meses de dedicação e apresentar grande melhora física foi que o time resolver assinar um contrato.
Visivelmente mais magro e com um largo sorriso no rosto, Adriano fez sua estreia pelo rubro negro na última quinta-feira (13) e, no que depender de sua entrevista após o jogo, esse foi apenas o primeiro passo. Tanto do cidadão quanto do jogador.
É impossível prever se Adriano irá vingar no Atlético-PR e voltar a render como antes. Mas, muito mais do que uma volta aos campos, é a volta por cima que realmente importa. O povo brasileiro está de braços abertos e comemora o retorno de seu imperador que errou, se esforçou, e venceu.Não apenas nos gramados, mas na vida.

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